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As Palavras Que Nunca Te Direi

Um Baú de recordações onde a escrita é guardada...

As Palavras Que Nunca Te Direi

A noite

por Mico, em 23.02.16

A noite...a noite é quando a solidão vem...as pessoas escondem-se em casa, preferindo humilhar-se, do que olhar em frente! Ninguém é capaz de encarar a noite, e todos os pensamentos e desejos loucos que ela traz...

 

A noite é boa conselheira dizem eles, mas é simplesmente incrível o facto de nem todos nós conseguirmos conselhos e nos decidirmos pela vida, fazermos decisões! Não é tão simples assim, as pessoas não conhecem a noite, todos aqueles desejos absurdos que são alimentados durante as suas horas, todo aquele sub e inconsciente que permanece guardado durante o dia e que toma forma à noite...sim, apenas à noite, porque é à noite que tudo é possível!

 

Não gosto da noite, todos se vão e eu sinto-me cada vez mais sozinho, tenho consciência que por mais acompanhado que esteja durante o dia, apenas aquela presença fará sentir-me acompanhado. A noite cala o meu grito de sofrimento, um grito de revolta para com tudo o que me rodeia, um grito que não tem medo de se fazer ouvido, um grito que nasce no meu interior, e que simplesmente rebenta, mas é calado pelo silêncio da noite! Sinto-me mal e apenas à noite tenho coragem suficiente para assumir tudo, apenas à noite sinto-me forte e se antes esta mesma noite assustava-me, agora não, porque sinto que apenas nela dou tudo de mim, apenas durante ela luto por tudo, digo o que sinto, sem medo nem receios, simplesmente porque sei que este grito é calado e nunca ninguém o ouvirá!

 

Será que alguém notou alguma vez que cá dentro do meu peito dói? Será que alguém se apercebeu da minha dor, da minha revolta? Garanto que não, simplesmente porque só à noite tenho a capacidade de ser transparente e deixar passar a imagem do que hoje realmente me tornei, do que hoje sou. Não me considero um ser, um alguém, mas sim um alguma coisa que tem medo de viver, medo de seguir em frente, de aceitar sentimentos, que tem medo de sorrir verdadeiramente. Anteriormente tive uma vida, era um alguém e sentia ser o mundo de alguém, sentia que alguém precisava de mim, não para viver, mas para sorrir e ser feliz e eu sentia o mesmo de uma forma recíproca, mas e agora?

 

Já senti os meus pés bem firmes no chão, tinha uma parede que me protegia de todos os ataques laterais, um tecto que me cobria de todas as trovoadas da vida e tinha fundamentalmente um sonho a seguir, mas e agora? Agora, não tenho nada, nem um chão, nem uma parede apenas, nem um tecto, não há sonho, logo não há pessoa, não há ser, logicamente não há vida! Vejo-me a cada dia a cair por um buraco que não tem fundo, mas é um cair silencioso, um cair a cada momento, um morrer a cada segundo, uma morte lenta e sofrida. Uns olhos que deixaram de transparecer um brilho, uma boca que jamais deu um sorriso, uma coisa, é tudo o que sou, é tudo o que me transformei.

 

Cá dentro dói...sim...mas não foi fácil assumir isso, não foi fácil admitir que sem pequenas coisas a minha vida não teria, não tem o mínimo sentido, nunca me custou tanto, como agora, admitir que depois de tudo ainda o tudo aquilo tem uma importância, um peso para mim, não é fácil, muito pelo contrário. Não é fácil acordar todos os dias, tendo a sensação que já perdi tudo o que tinha a perder, perdi aquilo que mais valioso tinha e tudo o que não tinha e que inconscientemente pensava que era meu, mas não, nunca o foi. Mas será que alguém tinha notado? NÃO! Porque de dia sou uma pessoa ou pelo menos comporto-me como tal, sorriso nos lábios, um sorriso que eu criei, fui obrigado a aprender a sorrir assim, um sorriso que apenas engana aqueles que não sabem sorrir e que se escondem por trás de uma máscara. É difícil viver assim, assumo...assumo porque é de noite e tudo se torna mais fácil de dizer, já que a noite abafa todos os nossos gritos de desespero...

A partida...

por Mico, em 23.02.16

Foi tudo tão rápido. Lembro-me dos dias em que brincávamos. Brincadeiras que elevaram a um sentimento mais forte, que entrelaçou os nossos corações, as nossas vidas. Peguei na tua mão, estava fria...acariciei-te, mas a tua pele estava sem aquele teu belo pigmento que me paralisavam o olhar, por haver tanta formosura. Beijei-te...os teus lábios não me corresponderam. Estavam frios. Sussurrei nos teus ouvidos o que eu realmente sentia por ti. Mas... tu nem sequer reagiste. Entrelacei os meus dedos nos teus; mas os teus não se envolviam com os meus. Abracei-te, e não senti o calor corporal vindo de ti. Senti uma sensação estranha. Olhei para os teus lindos e perfeitos traços. Coloquei a minha mão no teu peito... e não senti o coração bater... Foi aí que percebi que os anjos tinham te levado, levaram para bem longe, onde não podia encontrar-te. A tua ausência foi por mim profundamente sentida... e aí percebi que já se fora o meu amor...

Para ti

por Mico, em 12.02.16

Não sei bem como expressar sentimentos, nunca fui poeta, apenas queria dizer que estou a sentir muito a falta de uma coisa que nunca tive. Tu realmente pensas em mim? Se tu pudesses ver como eu me sinto por dentro, então tu entenderias, tu acreditarias. Por dentro eu preciso muito de ti, embora eu tente esconder por fora o que eu estou a sentir. Por favor, acredita em mim é muito o que estou a pedir? Se nós tivéssemos uma noite juntos, se nos tivéssemos um momento só nosso, então nós mudaríamos tudo, nós poderíamos saber se daria certo ou errado. Nós podíamos ter tentado, responde com sinceridade, achas que teríamos conseguido? Achas realmente que iríamos tão longe? Ou que tudo é apenas um absurdo?

 

Mantém-nos juntos, mesmo estando distantes, mantém-nos juntos como se fosse a ultima vez, mesmo sem ter apenas a única vez. Eu ainda sinto, agora mais que nunca que tu estás perto de mim, eu realmente ainda sinto, mas, não consigo acreditar, a esperança vai-se perdendo que um dia estaremos próximos um do outro. Se nós pudéssemos falar, conversar só mais uma vez sobre tudo o que se passou, irias entender que eu só quero fazer-te feliz, dar todo o meu amor, porque eu tenho que estar contigo, para viver, para respirar. Será que tu não percebes? Fizeste-me acreditar que seria tudo perfeito, disseste-me coisas lindas como por exemplo “eu amo-te”, tornaste-te a pessoa mais importante na minha vida, e depois desistis-te, mas porquê? Já sabias que era tudo um erro? Hoje pergunto-me, porquê que não pude mostrar neste tempo todo o que eu realmente sou? Porquê que deu tudo errado? O que deu errado?

 

Eu não consigo apagar-te da minha vida, eu irei curar esta dor? Eu preciso manter-me forte e aliviado, eu preciso de ti para trazer de volta à minha vida os sonhos e desejos. Tudo parecia tão perfeito, mas com o tempo tudo se perdeu. Eu não irei nunca mais perdoar-me do estrago que nós dois juntos fizemos, eu irei manter a tristeza até o dia em que eu encontrar-te e fazer morrer esta dor que carrego, a dor das mentiras, a dor que no fundo vai sempre doer, a dor que por mais que eu esconda vai sempre existir, a dor da qual acho que sempre que eu lembrar vou ter a plena certeza que essa é a dor da qual eu nunca curei e nunca recuperarei.

Lágrimas negras

por Mico, em 12.02.16

...como o Sol que nasce no horizonte de um sentimento, o meu Amor floresce desde o início da alma. As palavras sóbrias que saem da minha boca enganam o meu subconsciente, e as ditas sem pensar expressam toda a verdade escondida no fechar dos olhos que se fixam num ponto escuro entre o pó das estrelas, esperando ouvir a tua voz para acalentar a minha alma antes de adormecer...e mais ainda para tentar controlar a dor que cresce oculta na minha Vida.....contigo subi aos céus mas tão grande foi a tua luz que acabou ofuscando o meu futuro.....e apagando de vez… o meu passado…transformando-me num ser incrédulo que após tantas dificuldades cede a vontade da derrota... que por insistência perseguiu-me em cada segundo da minha existência...cheguei ao fim e, desesperado, grito aos quatro ventos para que espalhem à humanidade a verdade de toda a minha história....nasci para conhecer-te, vivi para amar-te e morri sem dizer que te amo... nem ao menos uma vez contigo ao meu lado... hoje no meu leito...as lágrimas petrificam aos poucos o meu coração e retiram cada canto da vida que me restou... se Deus é justo e vive da felicidade, então quem fez o julgamento? Nasci predestinado a sofrer, nada mais que isso...

Último suspiro

por Mico, em 12.02.16

Não sei quem sou, nem o que sou. Não sei mais o que quero ou o que espero da vida. Estou perdido no mundo, sem ninguém para desabafar, contar novidades, aliás, a minha vida já não tem mais novidades. Já não acredito mais em mim, no que sou capaz. Já não sei mais quais são as minhas virtudes e os meus defeitos, tudo está tão confuso. Espero tão pouco de tudo e de todos porque já não acredito mais no bastante. Tudo é motivo para entristecer-me, tudo está tão mau e eu não sei como mudar isso. Sei que preciso de ajuda, sei que já estou a chegar ao limite, mas tenho medo de pedir ajuda. Tenho medo do que vão pensar e do que farão. Já quase não tenho amigos, todo mundo está a afastar-se e não sei como trazê-los de volta. Olho para o lado e não vejo ninguém, a solidão persegue-me e afunda-me nesse abismo de dor, tristezas e desamor. Quero gritar, mas já não tenho voz, já a esgotei com pedidos desesperados que ninguém ouviu. Quero chorar, mas já não tenho lágrimas, tudo está seco e sem vida. Se continuar assim só vai restar-me uma saída, mas ainda não quero acreditar que ela seja a única. Entretanto, não sei se faria diferença, já que pareço estar sozinho. Até a única pessoa em quem eu acreditava foi embora. Já não tenho certeza se ela está ao meu lado ou se mesmo ela existe. Só queria achar-me, encontrar o verdadeiro sentido da minha vida. Só queria um sinal de que não estou sozinho neste mundo, mas não estou muito confiante de que ela algum dia apareça. Já não tenho mais forças para lutar, já não tenho mais desejo, e quando a chama do meu amor se apagar, serei só mais um ser vivo que procurou a felicidade, mas só encontrou a ilusão. Tudo estará acabado e não acho que esse fim esteja tão longe assim.

Preciso de ti...

por Mico, em 12.02.16

Preciso de ti...a cada dia e a cada hora desta minha vida...sem ti não sei quem sou, simplesmente porque me fecho dentro de mim mesmo e deixo que essa outra pessoa comande a minha vida, que tome as decisões por mim...mas eu não sou essa pessoa...não é a mim que beijam mas sim o meu corpo...eu, estou fechado dentro dele e apenas tu, meu amor, tens a chave para me libertares...

 

A vida foi injusta e madrasta com o nosso amor, o destino levou-nos para bem longe um do outro...mas espero que em breve possamos os dois, juntos, dar uma lição neste destino...possamos ensinar-lhes que não é certo separar duas pessoas que se amam incondicionalmente e vamos mostrar-lhes que o que sentimos está acima de tudo, acima deles, que se julgam ser importantes, mas mais importante é o nosso amor. Provaremos que somos feitos um para o outro, que nos amamos e que conseguiremos vencer todas as batalhas juntos de mãos dadas e sorriso nos lábios! Que nem quando estamos fracos e frágeis, eles poderão comandar-nos!

 

Amo-te...é apenas isso, e sei que agora nada mais te posso oferecer do que simples palavras que não trazem sentimento algum apenas posso-te dizer ao telefone, que te amo. Seremos felizes e a confiança nesta minha ideia, nesta minha convicção é muito maior que a vida, que o destino ou qualquer outra coisa que seja contra o nosso amor, o amor pode tudo, mesmo quando apenas nos restam palavras, mesmo quando o mundo duvida deste nosso amor, mesmo quando a nossa própria família acredita que o sentimos, seja natural da idade, que passará com o vento e cairá em esquecimento e que pensem o que quiserem, porque nós iremos provar que o que sentimos é mais forte que todas as convicções, que todos os valores de uma sociedade, que o destino, que a própria vida...

 

Amo-te...e não me canso de dizer, não grito ao mundo o amor que sinto, talvez porque essa outra pessoa, uma desconhecida, não deixe, e me controle...amo-te, nunca duvides. És tudo o que um dia quis, és tudo o que eu preciso e vou precisar...amo-te, apenas isso...

Saindo pela rua...

por Mico, em 12.02.16

Sai...sai de casa em busca de algo, em busca de um amor, de um sinal que me fizesse renascer...comecei a andar em direcção a algo...ou em direcção a nada...Apenas andava, via a noite a cair, as pessoas recolhiam-se para casa, fugiam do destino, fugindo da vida refugiando-se dentro de casas feitas de tijolo, cimento...e não casas feitas de amor...onde as paredes e os pilares eram feitos de sentimentos puros, onde o tecto era feito de estrelas…

 

Andava as voltas, talvez as voltas do meu próprio destino, tentando encontrar uma razão que me prendesse aqui mas não encontrei nada...nada que desse sentido à minha vida...apenas andava por andar...caminhava...o vento gelado da noite batia contra os meus cabelos...rodeava o meu corpo como uma corda...chocava contra mim e trazia à cabeça todos os momentos lindos que passei com quem amei, de quem amo e de quem sempre amarei...passei a imaginar que esse vento gelado que me rodeava o corpo seria apenas os seus braços, que o que sentia no cabelo, no pescoço não seria mais que a sua respiração suave e quente...mas nem assim parei...simplesmente porque a minha busca não tinha terminado...procurei a ti, meu amor, por todos os cantos e recantos, na esperança inocente e estúpida de te encontrar...

 

Cá no fundo sabia que a minha busca seria em vão...que o que procurava não estava agora ao meu alcance! Não agora, aqui, onde me encontro...o que procuro são os teus olhos...o teu corpo, a tua alma...um beijo que apenas tu me podes dar...e tudo isto está longe...longe demais de mim... Ganhei uma certa consciência da minha infantilidade...e as lágrimas começaram pura e simplesmente a correr...o vento levava as minhas lágrimas mas muitas delas eram cravadas na minha pele, secas por um vento frio...a minha alma deixou o meu corpo, e foi com o vento...procurar a outra metade que lhe falta...o vento levou-a para bem longe de mim e bem perto de ti, mas não conseguiu levar a tristeza que guardo dentro do coração por não te ter aqui nos meus braços...essa tristeza está cravada no meu coração como um espinho que magoa...e a todo os dias desta minha doente vida...esse espinho fica mais e mais espetado dentro de mim...

 

Tu és o remédio para todos estes sintomas...tu és a única pessoa que um dia poderá tirar o espinho dentro do meu coração, fazendo com que o sangramento pare, a ferida causada pelo o espinho cicatrize...e as lágrimas parem de verter dos meus olhos...só tu... só tu poderás um dia dar-me a alegria, fazer renascer o brilho nos meus olhos, que agora de lágrimas se enchem, e arrancar um sorriso, e coloca-lo nos meus lábios... É a ti que amo...e por mais pessoas que estejam do meu lado...que me beijem e abracem...a solidão que sinto dentro do meu peito não desaparece...Vi-te partir e foi nesse momento que me apercebi o amor que sentia...foi ai que ganhei consciência que não serias como os meus outros amores...que o tempo apaga...e levava como as minhas lágrimas...

 

Nada me poderá fazer esquecer o amor que senti...o amor que sinto e que tenho a certeza que sempre sentirei...nada nem ninguém conseguirá mudar o que sinto...Por vezes escondo-me dentro de mim mesmo, fecho-me e tranco-me...para que eu desapareça e possa aparecer uma outra pessoa dentro de mim...capaz de olhar em frente e viver com a dor e tristeza... alguém capaz de sorrir, mesmo quando cá dentro apenas dor sente...que leva a vida ao sabor do vento...deixando-se guiar. Apenas assim consigo sobreviver a esta dor que é tão mortal...Voltei para casa, depois de uma busca perdida...e cai, cai em cima da cama e chorei, na esperança que esta dor que carrego comigo seja amenizada...mas eu sei que não é...

Eu sou...

por Mico, em 12.02.16

Eu sou uma chuva que não molha, mas sinto, que passo pelos caminhos mais indescritíveis do ser. Sou passageiro como o infinito que olha sem querer e deixa sequelas de paz. Sou tudo o que tu quiseres, mas pelo menos sou e não passei despercebido.

 

Como a chuva, eu sopro o cheiro da terra, sou pó e voltarei a ele e nada é mais passageiro do que as minhas palavras, as quais, em ti, ficou ao menos uma sílaba. Sou a frase que tu não esperavas, que desmascaraste o julgamento prévio que foi feito. Sou o olhar discreto, sou o amigo do momento mais íntimo que não se tem, vais tentando descobrir quem sou eu, tentando aproximar, recuar com medo das incertezas que possas encontrar, embora o mundo também esteja repleto delas.

 

Eu desço lentamente em garroa, penetrando nos poros da tua pele e escoo em veneno produzido pela tua ingénua malícia. Sou tantas coisas, e quando mal intencionado não sou nada e na maioria das vezes finjo ser o que não se podia. Sou ainda tudo o quanto tu nem se quer produziste e da superioridade à inferioridade tu escolhes o que sou quando quiseres usar-me.

 

Estou agora em ti, no canto mais íntimo do teu corpo onde ninguém penetra, mas eu vivo. Em ti já padeci muitas vezes, quando precipitado, e posso padecer agora no teu breve momento de loucura. Nunca perguntaste quem és tu? Não respondas, não tenhas pressa. Eu estava em ti quando mentis-te para ti mesma, quando foste tocada de relance no momento da tua decisão, mas tu não esperaste por mim, acreditaste que poderias caminhar sem mim, rosto ao vento, obtendo a liberdade de um abismo, achando que liberdade é caminhar em passos largos, afastaste de mim cortando o cordão umbilical que nos unia e agora estamos juntos outra vez, na esperança de renovar, de acertar, de vencer, de falar a sempre verdade.

 

Tu não vais olhar para ti e descobrir quem sou eu, no teu desejo mais profundo? Estou tão dentro de ti que é impossível deixar-te, a razão e a emoção estão em mim, embora tu não consigas usá-la adequadamente algumas vezes, mas eu sempre alertei. Neste exacto momento, pensei por ti e espero que tu penses em mim se porventura decidires caminhar sozinha.

 

Hoje...

por Mico, em 12.02.16

Hoje estou a pensar em nós, não sei porquê, de repente todas as lembranças acordaram dentro de mim, quando o mais lógico seria esquecer, seria apagar-te do livro do meu coração. Mas, de repente, comecei a pensar, não sei o que provocou isso, talvez tenha sido uma rosa triste que vi morrer no vaso. O chão ficou cheio de pétalas mortas, desfeitas, como se fosse lágrimas vermelhas que a flor chorou ou talvez o pôr-do-sol bonito que vi, nada restou... nada...

 

Eu pensei que ia continuar a viver, como antes de entrares na minha vida, mas hoje compreendo que tu ficaste em mim, ficaste na minha vida. Penetras-te com força no meu sangue e no coração batendo forte e vira dentro de mim, como se fosse uma presença extra-sensorial, como se fosse um ser ligado misteriosamente a mim, por laços reais que não vemos, mas sentimos. Sinceramente eu não sei mais o caminho que vou seguir, vou tentando esquecer-te, mas torna-se difícil.

 

Vieste para a minha vida como um pouco de brisa que vem para a tarde quente de verão, vieste simplesmente. Apareceste como um pouco de beleza que eu jamais sonhara ver e que de repente surgiu. Não quero nada alem de ti, tu de hoje, de agora e de sempre. Pensei que amar fosse apenas desejo, contacto de lábios, de corpos, de mãos, aprendi que o verdadeiro sentimento vem de dentro. Das profundezas da alma e do fundo do coração.

 

Estou só e por isso analiso o que sinto por ti, analiso esta ansiedade, esta vontade imensa de ver-te, de apertar-te nos meus braços, de sentir a tua presença, de ouvir as tuas palavras e ver a tua alma debruçada nesses olhos que são toda a luz da minha vida. Retrocedi pelo meu caminho e pensei que estava na hora de recomeçar a viver, mas senti que não estava só, tinha comigo a sombra da saudade a seguir-me falando-me de ti, falando-me de nós e por isso estou a pensar em ti nesta noite vazia e fria, mas cheia de saudade.

 

Estou a pensar em nós que fomos algo e hoje não somos nada. Apenas dois estranhos, dois estranhos separados. Estou só e continuarei só. É como se a vida tivesse perdido o sentido, como se o adeus tivesse matado em mim o que eu tinha de mais nobre, de mais belo que era a capacidade de amar. Nada restou para mim restando-me apenas o conteúdo de saudade. Só esta vontade, imensa de apertar-te nos meus braços. Não sou ninguém sem ti, chego a essa conclusão. Estou perdido dentro de mim mesmo e assim ficarei se não voltares! Por mais que tente não consigo esquecer-te.

 

Tenho saudades

por Mico, em 12.07.15

Tenho saudades de ti. Saudades dos nossos momentos... Saudades dos nossos momentos bons e dos maus também. Tenho saudades das nossas conversas sem pé nem cabeça, saudades das nossas discussões. Tenho saudades dos nossos passeios, da nossa vida nada parecida, do teu sorriso quando falavas algo engraçado, da tua cara de ódio, quando mesmo sem querer eu te irritava.

 

Saudades do nosso amor intenso, único e todo errado, das nossas manhãs, tardes, noites e madrugadas. Tenho saudades do teu ciúme com fundamento e dos sem fundamento também. Saudades dos teus medos e da maneira que eu cuidava deles. Saudades da maneira como tu te preocupavas comigo, saudades da tua fraqueza, que me dava força para ser forte. Saudades do nosso primeiro beijo e do último também.

 

Saudades da nossa vida tão igual e tão desigual. Tenho saudades de quando tu aparecias do nada e me fazias sorrir pelo simples facto de estar ali. Tenho saudades do teu amor intenso, da maneira que tu dizias “eu amo-te” deixando um brilho nos meus olhos. Saudades das tuas mãos nas minhas, a minha boca na tua. Saudades dos meus braços à procura dos teus e dos teus braços procurando os meus.

 

Tenho saudades dos planos que fizemos, dos nossos sonhos impossíveis que na nossa vida tentamos juntos construir. Tenho saudades de tudo que se realizou e de tudo que não se realizou. Os nossos telefonemas antes de dormir, as nossas palavras doces, nossas palavras duras e a nossa vontade de ser o outro de ser do outro. Tenho saudades da nossa música que até hoje toca para me fazer sentir mais saudades. Saudades dos nossos presentes no Natal e aniversários, da tua vontade encantadora de me surpreender.

 

Tenho saudades de ti ao meu lado, tenho saudades da tua presença em mim mesmo na tua ausência. Tenho saudades de ti fazendo-me chorar e eu fazendo-te sofrer. Tenho saudades de tudo o que vivemos e do que não conseguimos viver. Tenho saudades da tua maneira de não saber me amar que me fazia sentir o homem mais amado do mundo. Tenho saudades da nossa dependência um do outro, da nossa forma de esquecer o mundo quando estávamos juntos. Da nossa maneira simples de ver a vida. Vida que não foi nada simples.

 

Tenho saudades de ser teu, só teu. De te pertencer inteiramente, fazendo parte da tua vida, saber o que estavas a fazer e com quem estavas a fazer. Tenho saudades da nossa história, a mais estranha que alguém já escreveu. Tenho saudades do que contamos um para o outro, dos segredos que temos, que escondemos.

Saudades do meu aniversário, do teu aniversário. Saudades do nosso “tempo”, de cantar mas estar a cantar só para ti. Tenho saudades do nosso namoro escondido, onde só éramos eu e tu. Tenho saudades do nosso amor, nossas juras, nossas promessas, nossos encontros e dos nossos desencontros.

 

Tenho saudades de dizer “amo-te para sempre”, 4ever. Tenho saudades de ouvir “amo-te para sempre”, 4ever. Tenho saudades de estar contigo, simplesmente por estar. Tenho saudades da tua amizade, da tua força e da tua confiança em mim, em nós. Tenho saudades da tua voz, do teu carinho, da tua paixão, do teu desejo, das tuas loucuras, da tua inteligência, do teu talento. Saudades de ti quando estavas comigo. Saudades de mim quando estava contigo. Saudades do nosso casamento que não aconteceu. Saudades dos filhos que não tivemos. Saudades da cama que não dividimos. Saudades do futuro que não vivemos. Saudades de ti.

 

Mas o que mais dói de toda esta saudade é saber que de tudo que eu sinto saudades está destinado para outro alguém. Outro alguém que já odeio antes de existir, outro alguém que não terá a mesma saudade que eu sinto, porque não serei eu. Como dizia o poeta “em algum lugar deve existir, uma espécie de bazar, onde os sonhos extraviados vão parar”. Acho que os nossos sonhos e planos se extraviaram e foram parar nenhum lugar, mas na minha mente, nela pararam e não me deixam seguir em frente nem viver, não me deixam sentir saudades de outro alguém. E é por isso que vivo sentindo saudades. Saudades de mim, de ti, saudades de nós...

Escrito a: 10/XII/2006

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