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As Palavras Que Nunca Te Direi

Um Baú de recordações onde a escrita é guardada...

As Palavras Que Nunca Te Direi

A noite

por Mico, em 23.02.16

A noite...a noite é quando a solidão vem...as pessoas escondem-se em casa, preferindo humilhar-se, do que olhar em frente! Ninguém é capaz de encarar a noite, e todos os pensamentos e desejos loucos que ela traz...

 

A noite é boa conselheira dizem eles, mas é simplesmente incrível o facto de nem todos nós conseguirmos conselhos e nos decidirmos pela vida, fazermos decisões! Não é tão simples assim, as pessoas não conhecem a noite, todos aqueles desejos absurdos que são alimentados durante as suas horas, todo aquele sub e inconsciente que permanece guardado durante o dia e que toma forma à noite...sim, apenas à noite, porque é à noite que tudo é possível!

 

Não gosto da noite, todos se vão e eu sinto-me cada vez mais sozinho, tenho consciência que por mais acompanhado que esteja durante o dia, apenas aquela presença fará sentir-me acompanhado. A noite cala o meu grito de sofrimento, um grito de revolta para com tudo o que me rodeia, um grito que não tem medo de se fazer ouvido, um grito que nasce no meu interior, e que simplesmente rebenta, mas é calado pelo silêncio da noite! Sinto-me mal e apenas à noite tenho coragem suficiente para assumir tudo, apenas à noite sinto-me forte e se antes esta mesma noite assustava-me, agora não, porque sinto que apenas nela dou tudo de mim, apenas durante ela luto por tudo, digo o que sinto, sem medo nem receios, simplesmente porque sei que este grito é calado e nunca ninguém o ouvirá!

 

Será que alguém notou alguma vez que cá dentro do meu peito dói? Será que alguém se apercebeu da minha dor, da minha revolta? Garanto que não, simplesmente porque só à noite tenho a capacidade de ser transparente e deixar passar a imagem do que hoje realmente me tornei, do que hoje sou. Não me considero um ser, um alguém, mas sim um alguma coisa que tem medo de viver, medo de seguir em frente, de aceitar sentimentos, que tem medo de sorrir verdadeiramente. Anteriormente tive uma vida, era um alguém e sentia ser o mundo de alguém, sentia que alguém precisava de mim, não para viver, mas para sorrir e ser feliz e eu sentia o mesmo de uma forma recíproca, mas e agora?

 

Já senti os meus pés bem firmes no chão, tinha uma parede que me protegia de todos os ataques laterais, um tecto que me cobria de todas as trovoadas da vida e tinha fundamentalmente um sonho a seguir, mas e agora? Agora, não tenho nada, nem um chão, nem uma parede apenas, nem um tecto, não há sonho, logo não há pessoa, não há ser, logicamente não há vida! Vejo-me a cada dia a cair por um buraco que não tem fundo, mas é um cair silencioso, um cair a cada momento, um morrer a cada segundo, uma morte lenta e sofrida. Uns olhos que deixaram de transparecer um brilho, uma boca que jamais deu um sorriso, uma coisa, é tudo o que sou, é tudo o que me transformei.

 

Cá dentro dói...sim...mas não foi fácil assumir isso, não foi fácil admitir que sem pequenas coisas a minha vida não teria, não tem o mínimo sentido, nunca me custou tanto, como agora, admitir que depois de tudo ainda o tudo aquilo tem uma importância, um peso para mim, não é fácil, muito pelo contrário. Não é fácil acordar todos os dias, tendo a sensação que já perdi tudo o que tinha a perder, perdi aquilo que mais valioso tinha e tudo o que não tinha e que inconscientemente pensava que era meu, mas não, nunca o foi. Mas será que alguém tinha notado? NÃO! Porque de dia sou uma pessoa ou pelo menos comporto-me como tal, sorriso nos lábios, um sorriso que eu criei, fui obrigado a aprender a sorrir assim, um sorriso que apenas engana aqueles que não sabem sorrir e que se escondem por trás de uma máscara. É difícil viver assim, assumo...assumo porque é de noite e tudo se torna mais fácil de dizer, já que a noite abafa todos os nossos gritos de desespero...

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